
O rendimento médio mensal das famílias brasileiras chegou a R$ 2.264 por pessoa em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). O valor representa crescimento real de 6,9% em relação ao ano anterior, já descontada a inflação, e é o maior registrado desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. Apesar do avanço, os números também evidenciam os desafios enfrentados pela população trabalhadora diante do aumento constante do custo de vida no país.
Enquanto a renda média apresenta crescimento, estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) mostram que o salário mínimo necessário para suprir as despesas básicas de uma família brasileira deveria ter sido de R$ 7.425,99 em março deste ano, valor equivalente a 4,58 vezes o salário mínimo oficial, atualmente em R$ 1.621,00. O levantamento considera despesas essenciais como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e lazer, demonstrando a distância entre a renda real da população e o custo efetivo para manter condições dignas de vida.
Outro dado que reforça esse cenário é o preço da cesta básica em diversas capitais brasileiras. Em março, as maiores altas foram registradas em São Paulo, com custo de R$ 883,94, Rio de Janeiro, com R$ 867,97, e Cuiabá, com R$ 838,40. Mesmo nas cidades com os menores valores, como Aracaju, Porto Velho e São Luís, o peso da alimentação segue impactando diretamente o orçamento das famílias trabalhadoras. O cenário evidencia que, embora exista crescimento na renda média, os custos cotidianos continuam pressionando o poder de compra da população.
Para a presidenta do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Canindé (SINDSEC), Ana Célia, os dados reforçam a importância da valorização permanente dos trabalhadores e do fortalecimento das políticas públicas.
“O aumento da renda é importante, mas ele ainda está distante da realidade do custo de vida enfrentado pelas famílias brasileiras. Os trabalhadores seguem sentindo no bolso o peso da alimentação, das contas básicas e das despesas do dia a dia. Por isso, a luta por valorização salarial, direitos e melhores condições de vida continua sendo fundamental para garantir dignidade à classe trabalhadora”, destacou.







